A Pele Que Habito

Baseado no romance Tarântula, de Thierry Jonquet, A Pele Que Habito é um filme surpreendente, que se apóia na loucura, na falta de ética e na sexualidade. Pedro Almodóvar optou por contar a história de uma forma não linear, colocando um presente confuso e negro à nossa frente e depois contando todos os eventos traumáticos que se antecederam de forma quase terapêutica, pouco a pouco até você perceber as reais intenções e motivações dos personagens.

No começo da película, vemos as belas imagens de um cotidiano no qual percebemos que algo está muito errado. Manter uma cobaia humana em um quarto monitorado para lhe desenvolver uma pele invulnerável talvez seja uma atitude nobre comparada com o que há por vir. Aqui temos a imagem do cientista louco querendo brincar de deus, como já vimos milhões de vezes em filmes clássicos, como Frankenstein. Porém, explorar a sexualidade em cima disso me parece ousado e autêntico. Não que Almodóvar não o seja, mas há um nível muito alto de choque. Criar uma coisa que se ama em cima de uma coisa que se odeia, por vingança, é uma linha de raciocínio brilhante.

A essência Sci-Fi que identificamos no começo do filme não se arrasta até o final, serve apenas como pano de fundo para os atos horrendos do médico Robert, interpretado com maestria por Antônio Banderas. Nenhuma teoria médica soa forçada. A trangênese humana é possível.

Não via uma reviravolta por vingança dessas desde o coreano Old Boy. Outra coisa que chama muito a atenção é a capacidade que a cobaia Vera adquire para manipular o médico e induzí-lo ao apaixonamento para se vingar dele.  A trama é um tanto quanto rasa e o único personagem que parece se desenvolver durante o filme é o médico interpretado por Antônio Banderas. Talvez esse seja o problema de alguns com o filme. Ele é o que é. Não abre espaço para interpretações. Acho isso um trunfo, você conseguir passar tudo sem o esforço intelectual excessivo do telespectador.

É sempre extasiante ver como Almodóvar trabalha a sexualidade humana de forma escancarada e real. O constrangimento se consuma. Temos o sexo real, não na sua forma gráfica, como em filmes pornôs, nem muito menos na sua forma romântica e idealizada. Em A Pele Que Habito o sexo é demonstrado em sua mais crua forma animal. Parece que estamos presenciando um ato sexual traumático real.

Ainda nas entrelinhas, percebemos que os personagens são isentos de valores morais. Os atos de assassinato e de tentativa de suicídio sempre se consumam e chocam, apesar de não serem viscerais. São sublimes. Ponto para o diretor. A naturalidade que o assunto mudança de sexo foi tratado causou risos que ecoaram pela sala de cinema com público pífio. Uma frieza sublime. Quase um caso de psicopatia. Uma ausência total de sentimentos para com os personagens. Almodóvar não mede esforços para demonstrar o sofrimento.

Minhas congratulações para Almodóvar pela escolha de atores, pela filmagem ótima, pela imersão proporcionada e principalmente por fazer um filme de suspense que horroriza sem mostrar vísceras, vômitos e sangue exacerbados. Recomendo fortemente.

Nota: 9/10

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The Story of Anvil

Se há um documentário altamente recomendável para as pessoas que estão em uma banda atualmente (que fique bem claro: uma banda de rock), este documentário se chama The Story of Anvil.

A música do Anvil em si não chama tanta atenção no documentário. Apesar de terem influenciado diretamente no surgimento do Thrash Metal oitentista, percebemos que o foco não é a música que o Anvil faz, mas sim o que eles representaram um dia e como o tempo foi injusto com eles: logo no começo, vemos depoimentos de rockstars como Lemmy, Ulrich e Kerry King, comentando sobre como o Anvil já fazia Thrash Metal antes mesmo dele existir e o quão incríveis eles foram.

O fracasso de Lips e Reiner é evidente: eles estão envelhecendo e não ganham nada com a música que fazem. Lips entrega merendas escolares e Reiner faz pequenos consertos em casas. O dinheiro é curto, mas eles não desistem do Anvil por nada, e continuam amigos incondicionalmente, apesar da família e amigos dizerem que não há futuro algum com isso. Como tiveram seus 15 minutos de fama em um festival gigantesco no Japão junto com Scorpions e Whitesnake, eles continuam perseguindo o sonho de serem rockstars.

Quando uma turnê pela Europa é planejada, os integrantes da banda ficam animados, mas tudo não passa de uma grande frustração: a empresária, uma italiana loira, mal sabe falar o inglês e não faz reservas de trem ou ônibus. O resultado é: um monte de shows para platéias minguadas, com pouca publicidade, pouco ou nenhum cachê e esperas intermináveis em rodoviárias (os integrantes chegam a dormir na rua algumas vezes). Mas os shows continuam cheios de energia e os integrantes não se deixam abalar por tudo o que acontece. Não no palco.

Não só aconselhável para quem tem uma banda de Rock. O documentário também é aconselhável para quem quer ver o que está acontecendo atualmente com as bandas de Metal underground. O documentário é extremamente bem dirigido e todas as brigas e piores momentos da banda estão presentes. Durante a gravação do CD novo, Reiner se torna distante do processo de gravação e Lips fala que ele é ‘energia negativa’, se desculpando logo em seguida e dizendo, com o rosto cheio de lágrimas: “eu te amo, cara!”.

Os efeitos do documentário foram positivos, tanto para o diretor Sascha Gervasi quantopara a banda, que apesar de ainda não estar no mainstream, conseguiu o reconhecimento merecido e já fazem shows ao redor do mundo todo.

Esqueça as biografias dos grandes rockstars. Aqui temos uma história pura de perseverância, de como aceitar o fracasso, de amizade e de como fazer Heavy Metal.

 

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Porque adoro cinema e listas, e meus treze filmes favoritos

Sempre gostei de cinema. Alias, quem nunca gostou? Me recordo das saudosas visitas à Vídeo Locadora no final de semana, a indecisão extrema na hora de escolher o meu filme da semana e o medo de comprometer o entretenimento com uma escolha errada, ainda que nunca tenha me arrependido de nenhuma, pois criança gosta de qualquer coisa. Muitos filmes vistos na infância, tanto no VHS quanto nos saudosos Sessão da Tarde e Cinema Em Casa ficaram marcados na memória, mas eu me lembro mais especificamente de dois. O primeiro foi um filme chamado Cassiopéia. Exato. Cassiopéia foi o primeiro filme 100% feito em CGI, e pásmem, é brasileiro. Ele ficou marcado na minha memória não por seus gráficos horríveis e irritantemente redondos, muito menos seu plot que eu já nem sei do que se tratava, mas era algo sobre o espaço. O que ficou marcado na minha memória foi a sensação de descoberta. Encontrar aquela fita empoeirada apodrecendo no cantinho escuro da locadora e descobrir que era um filme interessante, que provavelmente ninguém havia visto. O que hoje é visto como ‘hipster’, era a primeira vez que eu experimentava a sensação de descoberta de uma obra de entretenimento não enfiada abaixo na minha garganta pela mídia.
Algum tempo depois, aluguei um filme com uma capa idiota. Tão idiota que mesmo com meus 8 ou 9 anos me recordo de ter achado que seria demasiadamente infantil (!). O filme se chamava Jack e tinha Robin Williams como protagonista. Era a estória de um garoto de 10 anos que envelhecia 4x mais rápido do que deveria, e então tinha aparência de 40 anos. Curiosamente o filme mais rejeitado da carreira de Francis Ford Coppola, me capturou desde a primeira, das muitas vezes que o vi. Eu sou uma pessoa altamente nostálgica. Tenho a tendência a sempre achar que tudo que já se foi era melhor do que é hoje. Pode ser que seja esta nostalgia falando, mas Jack é o filme mais inocentemente belo e sincero que já vi na vida. Foi o primeiro filme que me emocionou de verdade,  e até hoje o faz quando resolvo vê-lo novamente.

Então, por meados de 97 um presente de natal acabou com meu interesse por cinema. Um pequeno e maravilhoso produto da emergente tecnologia asiática chamado Super Nintendo e acabou com meu interesse por cinema, pelos vindouros anos. Até que, com meus 12 anos de idade, minha querida Mãe, desprovida de qualquer senso de falso moralismo e protecionismo idiota, me alugou dois filmes: Pulp Fiction de Quentin Tarantino e The Doors de Oliver Stone (valeu, Mãe). Nestes dois filmes, principalmente em Pulp Fiction, eu tive o primeiro contato com o Cinema propriamente dito. Meus primeiros ‘films’ e não ‘movies’. O filme de Tarantino me mostrou pela primeira vez que filmes vão além de uma estória sendo contada. O visual, o som e a violência exacerbada daquele filme me mostrou um lado do cinema que nunca havia percebido antes. Como se pela primeira vez tivesse visto o cinema como um objeto 3D ao invés de um simples quadrado.

Toda esta reminiscência pessoal cinematográfica surgiu da idéia insana que tive de listar meus filmes favoritos e resenhá-los. Idéia insana, porque fazer uma lista dos meus filmes favoritos tem todas as chances de dar errado. Deixarei filmes queridos e excelentes de fora e não me perdoarei. Incluirei filmes e depois pensarei: “What the hell was wrong with me?”. Mas essa é justamente a beleza das listas. Elas são a representação pontual de uma percepção que é fugaz, que permanece por um instante e depois se vai. Eu gosto de listas, sempre gostei. Desde criança fazia listas, de músicas favoritas, bandas favoritas, jogos favoritos, desenhos favoritos, times de futebol, comerciais, países, etc. Sempre fui um tanto peculiar enquanto criança, mas sempre me diverti sozinho, com meus interesses peculiares. Meu gosto por listas, por mais que eu quase sempre discorde elas nunca desapareceu. Até hoje sempre quando vejo alguma lista de qualquer coisa que seja em um destes portais de Internet, sempre involuntariamente clico nelas. Como eu dizia, acredito que as listas são a representação do gosto e percepção da pessoa naquele devido momento no tempo, e isto por si só vale a brincadeira por mais “inútil” que seja.

Após toda esta bobagem pessoal que ninguém está interessado em saber, farei a minha lista dos 13 filmes que eu mais gosto, em Outubro/Novembro de 2011. Vale ressaltar que não são necessariamente os melhores filmes que já vi. São os 13 filmes que mais me tocam como fã de cinema e como pessoa, independente das discrepâncias de qualidade técnica entre eles.  Porque 13 filmes? Porque eu quero. Sou hipster, 10 é overrated, 11 é impreciso, 12 é estranho. E treze é um número curioso. Jason, Zagall

Post Scriptum: “Porque”, “Por que”, “Porquê” e “Por quê”. Eu não me importo qual a forma certa. Uso apenas “Porque” para todas as ocasiões, porque acho que a língua portuguesa é redundante e nonsense o suficiente. E, como Adam Savage, eu rejeito a sua realidade a substituo com a minha.

GUILHERME’S EPIC ULTIMATE 13 BEST FUCKIN MOVIES FROM ALL THE TIME (RIGHT NOW)

NÚMERO 13: JCVD – Mabrouk el Mechri (2008)

É. Jean-Claude van Damme. Parece piada, mas não é. JCVD é um filme, que no mínimo, pegou minhas expectativas e as deu um Roundhouse Kick para o espaço. O improvável roteiro deste filme belga, conta com Jean-Claude interpretando ele mesmo: um ator de filmes de ação B, decadente com problemas judiciais e financeiros, lutando pela guarda de seus filhos. Sem nenhum dramalhão, o filme se passa quanto Jean Claude vai a uma agência bancária em Bruxelas, quando esta mesma está sendo assaltada. Van Damme fica preso como refém, é logo reconhecido, e de alguma forma a notícia espalha-se pela TV de que Jean-Claude estaria assaltando o banco. Grande parte do filme se passa nesta situação. Jean-Claude preso, lidando com o fato de ser um refém, com seus demônios interiores, além da irritante idolatria que o povo belga tem para com a sua figura. O ápice do filme fica em um monólogo introspectivo e tocante que Van Damme faz em direção a câmera. O diretor El Mechri afirma ter tirado todos da sala e deixado Jean-Claude sozinho, sem roteiro, sem script, expressar seus sentimentos quanto a sua vida, sua carreira, suas frustrações, seu problema com drogas e suas decepções com Hollywood. Tudo isto é deliciosamente adornado com uma fotografia genuinamente européia e uma montagem não-linear, que dão um toque de requinte que só os europeus sabem dar aos filmes. Resumindo, talvez ao lado de Heath Ledger, Van Damme teve a melhor atuação de 2008, além de conquistar meu respeito e admiração. Nice job, Jean-Claude!

E a lista continua em três, dois, um…

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A Balada do Samurai

A Balada do Samurai, ou Six-String Samurai, é um filme de baixo-orçamento dirigido por Lance Mungia, no ano de 1998.
O filme acaba ficando perdido no meio do mar de filmes de baixo-orçamento existentes, mas uma vez visto, Six-String Samurai jamais será esquecido.
A Balada do Samurai é um filme absurdamente original e estilizado. O filme se passa em um Estados Unidos pós-apocalíptico onde a União Sovíetica lançou a A-Bomb em 1957, tornando tudo um grande deserto sem vida, exceto pelo último reduto de liberdade: Lost Vegas. Elvis, sim o Presley, foi coroado rei de Lost Vegas e teve rockin’ reinado por 40 anos, quando veio a falecer, deixando a vaga de rei de Lost Vegas aberta.

Aí começa a saga de Buddy (interpretado por Jeffrey Falcon, um ator desconhecido que apareceu em dezenas de filmes de kung fu em hong kong e na China), um guitarrista/artista marcial que atravessa o deserto com sua espada e sua guitarra à caminho do reinado em Lost Vegas. No caminho ele encontra um garotinho que teve sua família morta por bárbaros no deserto, e que começa a seguir Buddy. Aí temos a clássica estória do garotinho órfão e do herói badass que não sabe lidar com uma criança. Ele a rejeita, mas acaba a acolhendo e protegendo.

Mas isso nem vale menção. O filme conta com uma selva de personagens e situações ímpares na história do cinema. Buddy, que é a cara (e as roupas de Buddy Holly), se depara com um time de jogadores de boliche, contratados pela morte(!) para roubar a guitarra dele. Enfrenta bárbaros, raiders, pessoas com roupas de astronauta, um exército de soldados soviéticos, que não possuem balas para seus rifles e toda sorte de rufiões desérticos.
O antagonista de Buddy no filme é a própria morte. E, como não podia deixar de ser, em Six-String Samurai, a morte é um guitarrista de Heavy Metal muito parecido com Slash do Guns n’ Roses, que despacha um grupo de mariachis para acabar com Buddy. O grupo de mariachis é interpretado pela banda The Red Elvises, que foi responsável pela trilha sonora do filme.
O que chama atenção no filme, é que, apesar da boa fotografia e locações bem decentes, o filme não possui uma gota de sangue. Sério, Buddy corta mais de 50 pessoas em seu trajeto e nenhuma gota de sangue é derramada. Talvez tenha sido pelo baixo orçamento, ou talvez para não dificultar o processo de gravação, não que faça diferença no andar da estória, mas um filme com um apelo visual tão grande, poderia ter um pouquinho de groselha jorrando e membros voando.

O filme ganhou o prêmio de melhor edição e cinematografia no festival de Slamdance, mas foi um fracasso gigantesco no box office, rendendo apenas cerca de 200 mil, com um orçamento de 2 milhões. Apesar do fracasso de bilheteria, o filme é aclamado entre os críticos e ganhou um grande ‘cult following’ entre os fãs de Sci-fi, e ação na internet.

Enfim, Six-String Samurai é um filme único e altamente divertido de se assistir. Assista, porém, com a mente aberta de quem está vendo um filme de baixo-orçamento e garanto a diversão, ou os megabytes de volta!

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A Onda (Die Welle)

Filmes alemães são excelentes surpresas. Lembro-me de ter visto Soul Kitchen, um filme germânico de comédia, e gostado demais (abordarei este mais pra frente). Os atores são desconhecidos e com histórias bem legais a serem contadas.

Com “A Onda” não é diferente. A premissa do filme está em mostrar um experimento didático envolvendo autocracia. Tal experimento é feito porque o professor vê que não consegue despertar o devido interesse nos alunos (uma vez que explicar o que é autocracia e seus fundamentos é algo bem chato). Então, ele funda “A Onda”, que é um grupo onde ele é o líder e prega todos os fundamentos da autocracia, para alunos alemães que já ouviram falar sobre o regime ditatorial nazista, mas não viveram em tempos de segunda guerra mundial. Tudo isso para a melhor compreensão do assunto. Mas fico em dúvida: viver um regime político é o melhor modo de compreendê-lo?

O filme se constrói ao redor de uma escola que exigiu que os alunos escolhessem fazer um estudo aprofundado sobre ou autocracia ou anarquia. O docente, anarquista assumido, foi escolhido para dar autocracia através de uma manobra da escola que, pelo que entendi, não deu o braço a torcer por causa da ideologia do professor, que aparece no começo do filme com uma camiseta dos Ramones.

E então “A Onda” começa a agir exatamente como um regime ditador: os alunos tratam o professor Rainer Wenger com respeito exagerado, desprezam e retaliam seus colegas que não fazem parte do grupo, agem apenas em comunidade, vandalizam para pregar suas ideologias e auxiliam apenas seus semelhantes. Um aluno chega ao extremo de querer ser escravizado pelo professor. O lado bom é que eles aprendem muito sobre respeito, disciplina, amizade e cooperação.

Um fato muito interessante é que “A Onda” foi baseado em fatos reais. Porém aconteceu nos Estados Unidos e a cadeia de eventos lá não foi tão grave quanto no filme. Uma grande sacada do filme foi a cena da sala de aula, na qual os alunos se mostram desgostosos e entediados quando o professor começa a falar da SS. Sempre que eu ouço a palavra “Nazismo” sinto arrepios, pois é muito clichê falar de Nazismo quando estudamos autocracia, agora imaginem os jovens alemães, que cresceram ouvindo essa chatice toda…

“A Onda” é um filme excelente, com um bom roteiro
baseado em fatos reais, com um elenco mirim, porém dedicado. É bem dirigido, bem filmado e bem feito. Aborda um assunto manjado com excelência, escorrega em clichês da adolescência e possui um final catastrófico e inesperado, prova de que o professor tentou parar o experimento tarde demais.

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Mr. Nobody – Jaco Van Dormael

O processo da vida é infinito em suas possibilidades. Desconfiamos todos os dias de que se tivéssemos feito tal escolha ao invés de outra, nossas vidas seriam diferentes.  Foi por causa disso que Mr. Nobody me encantou tanto. A confusão na cabeça do garoto Nemo na cena da estação é a mesma confusão do jornalista tomando sua entrevista no futuro e obviamente, a mesma confusão nossa. Mas no final das contas, ele não é ninguém. Nemo é apenas uma entidade que representa as possibilidades presentes nas vidas das pessoas.

As opções na vida de Nemo (seus universos paralelos) beiram o romantismo absoluto: a
infelicidade que ele assume ao ser muito rico e casar com qualquer uma; a paranóia que Elise começa a sofrer por não amar Nemo; a morte de Elise que o leva a ir para uma expedição em Marte e o amor adolescente com Anna, a filha do homem do qual sua mãe fugiu após se separar de seu pai. É tudo extremamente exagerado, mas muito bem executado. Um mérito para o filme.

Nunca ouvi falar do diretor do filme (Jaco Van Dormael). Fui fisgado por Jared Leto (que fez Requiem for a Dream, e apareceu em Clube da Luta, dois dos meus filmes favoritos, além de ser vocalista da banda de Pop Rock 30 Seconds To Mars), pela fotografia fantástica e pelo enredo que mistura ficção, ciência, romance e suspense. Jared está seguro em todos os universos paralelos que se abriram durante as escolhas da sua vida. Os fenômenos científicos são apresentados como em um programa de TV, através do universo paralelo de Nemo no qual ele se torna um cientista.

O filme possui cores vibrantes, uma bela filmagem, efeitos especiais interessantes e animações 3D muito bem feitas, porém não hollywoodianas (assim como o filme Moon), Marte e o espaço foram muito bem construídos.

Mr. Nobody é um apanhado de boas idéias. Em um dos mundos de Nemo (onde Elise morre durante um acidente de carro após o casamento dos dois), Nemo faz stop-motions fantásticos: pega organismos vivos que estão para morrer e uma máquina fica tirando fotos até a decomposição total. Depois ele faz o filme e reverte o tempo, dando a impressão de que o organismo está voltando à vida. Uma metáfora de seu amor por Elise. A história de amor com Anna, pelo setup das câmeras e pelo amor entre os dois, me lembrou muito Eternal Sunshine of the Spotless Mind. Temos também explicações sobre a Teoria das Cordas, sobre a vida, a reprodução, o amor e sobre o efeito borboleta, onde um brasileiro desempregado frita um ovo e o calor da fritura sobre para as nuvens e cria uma tempestade no país onde Nemo vive, molhando a carta de Elise, borrando o número que ela deu para Nemo, e destruindo a possibilidade deles conseguirem se encontrar de novo.

Poesia, possibilidades, amor, medo, vida, morte. Mr. Nobody aborda tudo de uma maneira fantástica. E apesar de toda a confusão e do delírio de Nemo no futuro, ele conclui de forma sensacional: não há escolha certa ou errada. Todas as vidas que ele contou para o jornalista estão corretas. Não importa a escolha que façamos. No final ela sempre será a correta.

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Dancer In The Dark – Lars Von Trier

Dancer In The Dark se trata de um drama pesado com passagens musicais, estrelado pela cantora Björk. No filme, Björk interpreta Selma, que é uma jovem que veio da Europa oriental em busca de uma oportunidade singela de curar seu filho, que sofre da mesma doença que está a cegando. Mesmo cega, a personagem trabalha em uma linha de produção, apenas para juntar a quantia necessária para se manter e guarda o resto em uma caixinha, para poder pagar a operação do filho.

Como ela está perdendo sua visão, através dos sons dos maquinários, dos trens, dos carros e todas as coisas que fazem barulho, ela monta um musical imaginário onde a vida é melhor e mais justa para ela. Mas apenas no musical. Na vida real, além de trabalhar muito, Selma vive em uma casa de aluguel e, devido à cirurgia que ela quer que o filho faça, não consegue dar uma bicicleta para ele. Mas sua vida piora de verdade quando seu senhorio lhe compartilha um terrível segredo, que ele esconde da sua mulher. Ela em troca conta que está guardando o dinheiro para a operação do seu filho.

O filme foi completamente filmado com uma câmera de mão, sob os cuidados do próprio diretor (Lars Von Trier). A experiência para Björk não deve ter sido boa, pois ela disse que esta foi “sua única experiência no cinema”. Não é de se espantar. Nicole Kidman, após estrear Dogville, declarou que nunca mais queria fazer outra película com Von Trier como diretor. Voltando à filmagem, a fotografia é desbotada e os cortes são secos. A profundidade emocional de Selma é gigantesca, porém a sua ignorância é constatada em várias partes do filme. Aliás, não acho que exista qualquer tipo de coerência nos personagens. São atos infames e egoístas dos personagens secundários que levam ao desfecho catastrófico do filme. Acredite: o final é forte.

Por outro lado, os musicais são leves, bonitos, com boas coreografias e bem cantados. Por serem compostos por Björk, a trilha sonora de Dancer In The Dark leva o seu nome. São composições atmosféricas, eletrônicas e com letras que chegam a ser bobas. O fato é: quem não gosta da música de Björk provavelmente passará os musicais para frente. Como os musicais são apenas representações positivas do mundo presentes na mente de Selma, as peças musicais são dispensáveis.

Dancer In The Dark é, em suma, um drama extremo, com um forte apelo musical e com uma interpretação fantástica de uma estreante. É uma história trágica e linear, um filme que não tenta ser mais do que é. É uma história injusta, revoltante e catastrófica. Também é uma pergunta interna: “até que ponto chegaríamos para salvar um filho nosso?”. Fechem as cortinas, pois Selma vai até o extremo para salvar a visão de seu filho. Recomendo para quem gosta de experiências fortes em frente a tela.

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O Lado Negro da Internet

A Deep Web parece uma obra da ficção científica, mas é exatamente o oposto. Ela é real e acreditem: há muita coisa ilegal e psicótica. Nela, é possível ver o trabalho de pessoas que fotografam crianças nuas, perversões sexuais envolvendo animais e defuntos e tráfico de drogas como Peyote, Maconha, LSD e remédios tarja preta. E isso é só a tampa do esgoto. A Internet, com seu uso anônimo, é uma máquina de fazer crimes e de contar os relatos dos mesmos.

Comecei falando da Deep Web, mas não expliquei do que ela se trata. Pois então: ela se trata de sites que são, ou pertencentes a uma rede que anonimiza seus usuários (mais sobre isso depois), ou também de sites inalcançáveis, que não possuem referência em lugar nenhum. Vamos supor que você crie um blog aqui no WordPress mesmo. Você o cria e imediatamente ele já está indexado aos provedores de buscas mais famosos. Trocando em miúdos, você digita o nome do seu blog no Google e ele aparecerá, provavelmente na primeira página. Podemos chamar todos os sites indexados pelos buscadores farofas que usamos todos os dias de Surface Web, que é a parte da Web que fica na superfície, sites dos quais a maioria das pessoas geralmente acessam: Orkut, Google, Hotmail, Badoo, Pirate Bay, Facebook, WordPress, Blogger, Twitter, Tumblr e por aí vai. Podemos encontrar esses sites através das metatags e das tags específicas no HTML que é retornado na nossa tela. Quando entramos em um site, fazemos uma requisição para o servidor do site desejado e ele retorna na nossa tela um código HTML, com todas as tags e metatags, com informações  como desenvolveu o site, e as palavras chave de seu conteúdo, para que ele possa ser facilmente indexado a algum motor de busca. Na Deep Web, a idéia é ocultar as metatags ou deixá-las extremamente confusas, dificultando e muito o acesso do usuário e também dos motores de busca. É uma página da Internet no meio do nada. E qual o intuito de alguém criar uma webpage que pessoas leigas não poderiam acessar? Com um simples olhar na Hidden Wiki, vemos onde o buraco começa, e, conforme vamos nos aprofundando, a coisa vai piorando de maneira significativa, de modo que se desiste de entender as mentes insanas que acessam e criam esse tipo de conteúdo anônimo.

Bom, agora que eu contextualizei a Deep Web, vou fazer um guia rápido para quem tem curiosidade, estômago forte, nervos de aço e apaga na hora que vai dormir:

Como os sites perdidos na Web são praticamente inalcançáveis, algumas pessoas reuniram alguns dos sites mais populares do submundo e colocou-os em uma Wiki, denominada The Hidden Wiki, um site com páginas editáveis, na qual os usuários escrevem artigos e linkam as páginas referentes àquele assunto. Para entrar na Hidden Wiki, há a necessidade de um programa especial que deixa o usuário anônimo e permite que urls que terminam em *.onion (usadas na deep web) possam ser acessadas. Então, tudo a se fazer é baixar o Tor (o programa do qual eu estava falando), abrí-lo (ele abrirá um Firefox Portável após a conexão com a rede Tor) e inserir o seguinte link: http://kpvz7ki2v5agwt35.onion/

 Muitos boatos cercam a Deep Web, mas o fato que mais intriga, é a falta de informações relevantes sobre o que exatamente é a Deep Web e o que é feito nela. Material criminoso, como pedofilia, zooflilia, necrofilia, venda de drogas, serviços de assassinato por aluguel, foruns hackers e rumores dizem até em Snuff Films (filmes reais de assassinatos) e  foruns de comunicação de terroristas. Considerando que até “pessoas normais”, sem as habilidades de um hacker, consigam acessar a deep web, é no mínimo estranho que as autoridades responsáveis nada tenham feito sobre, e muito menos divulgado o submundo que existe muito perto do alcance de qualquer usuário da Internet.

ATENÇÃO: O Innergeticus não se responsabiliza pelo conteúdo que o usuário encontrar, nem pelos traumas ou por possíveis prisões desencadeadas do mau uso desse tipo de rede.

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Corto Maltese e o mundo de Hugo Pratt

Hugo Pratt nasceu em 1927 em Rímini, Itália. Mesma cidade do famoso cineasta Frederico Fellini. Aquele da Roma de Fellini. Hugo nasceu em uma família cosmopolita. Com avós de origem inglesa, italiana, judaica e turca, era filho de um soldado profissional do exército italiano. Veneza o preparou para viajar o mundo todo. Aos 10 anos se mudou para Abissínia na Etiópia acompanhando o pai na invasão ordenada por Mussolini. Após a morte de seu pai, capturado pelas tropas inglesas, Hugo e sua mãe acabaram prisioneiros de guerra. No período em que esteve trancafiado, comprava quadrinhos dos soldados ingleses para passar o tempo. Em meio a um campo de prisioneiros na Etiópia nascia a paixão de Hugo pelos quadrinhos.

Após começar a carreira na Itália pós-guerra e fazer parte do chamado “Grupo de Veneza” que lançou a revista Asso di Picche. Com um mercado fraco na Itália, Hugo aceitou a proposta de César Civita e foi para a Argentina trabalhar no Editorial Abril. Na Argentina se tornou mais notório com algumas revistas e estórias lançadas, e por um período na década de 50 chegou a lecionar na Escola de Arte Pan-Americana em São Paulo. Período este em qual Hugo viajou para vários lugares da América Latina como Patagônia, Pantanal Mato-Grossense, Floresta Amazônicas, Cordilheira dos Andes, entre outros.

Após alguns anos em Londres, Hugo Pratt voltou à Italia e após conhecer Florenzo Ivaldi, criou, em parceria com o mesmo, uma revista chamada Sgt. Kirk. Nesta revista, mais precisamente na página 5 da estória Una Ballata Del Mare Salato (A Balada do Mar Salgado), nascia um mito da literatura e dos HQs. Corto Maltese. Aquele que inicialmente foi concebido para ser um coadjuvante, aparecia amarrado à uma cruz-de-santo-andré em meio ao mar e resgatado por Rasputin (que no universo de Pratt fugiu da Rússia para a China, onde se tornou um pirata). 

Corto Maltese é um aventureiro errante, um ‘loner’, que viaja pelo mundo sozinho, à procura da próxima aventura que o leve para mais longe. Nascido em Malta, filho bastardo de um marinheiro inglês e de uma cigana prostituta andaluza conhecida como “La Niña de Gibraltar”. Corto carrega a “bastardice” com orgulho.

Quando criança, teve a mão lida por uma feiticeira espanhola que lhe diz que Corto não possui uma linha da sorte nas mãos. Corto então faz uma linha da sorte em suas próprias mãos com um canivete, e a partir deste momento clama fazer sua própria sorte.

As aventuras de Corto Maltese tomam o mundo como seu pequeno quintal e em cada nova estória que se lê é impossível imaginar onde corto começará e onde terminará. Os cenários para as, sempre historicamente detalhadas e acuradas, estórias de Pratt passam por Etiópia, França, Irlanda, Sibéria, Oceania, Serrado Baiano, Caribe, Amazônia, Cordilheira dos Andes, China entre outros.

Em todas as suas aventuras Corto encontra e conhece personagens célebres da cultura global como Rasputin, o Barão Vermelho, Butch Cassidy, Ernest Hemingway, Herman Hesse, Joseph Stalin e até o cangaçeiro brasileiro Corisco de São Jorge. Ele passa por períodos históricos como a colonização da Oceania, a guerra Russo-Japonesa, a primeira guerra mundial, a revolução russa, a revolução de outubro e pela Itália fascista de Mussolini.

As estórias de Corto apresentam uma forte influência ocultista. Pratt construiu com destreza suas estórias que andam no fio entre realidade e ficção, história e invenção, realismo e sonho. Muitas estórias soam etéreas e estranhas devido ao estilo cabalístico que Pratt adquiriu ao longo de seus muito bem explorados anos de vida.

O personagem Maltese carrega em sua essência o ideal (ou falta de) de Pratt que era um cético quanto à religiões, ideologias, bandeiras e nacionalismos. As estórias de Corto Maltese são provavelmente o maior exemplo, ao lado das obras de Ernest Hemingway, de  obra que segue os passos do criador. O plural e viajado Pratt criou em sua semelhança um anti-herói errante. Um mercenário que viaja pelo mundo, sem carregar bandeiras ou ideais apenas à busca de aventura. Nem sempre por dinheiro, Corto Maltese, em muitas de suas aventuras defende fracos e oprimidos só pela adrenalina do ato. Mas o mesmo não pode ser considerado um herói no sentido estrito da palavra, pois muitas vezes Corto participa de guerras e atentados aos regimes vigentes dos locais por onde passa.

O diretor de cinema Argentino radicado no Brasil, Hector Babenco tentou convencer Hugo Pratt várias vezes à levar as estórias de Corto Maltese para o cinema, mas o sempre muito humilde Pratt dizia que elas não eram boas o suficiente para se tornarem filmes. Uma pena. Ainda que em 2007 um canal francês produziu uma animação chamada Corto Maltese: La Cour secrète des Arcanes, uma adaptação baseado na estória Corto Maltese in Siberia. Filme dificílimo de se encontrar (e delicioso de se assistir) mas nada que a Internet e um pouco de perseverança não possam conseguir.

Hugo Pratt faleceu em 1995 na Suíça, devido à um câncer no estômago. Sua obra ficou imortalizada principalmente graças ao seu favorito personagem Corto Maltese e se tornou referência e parte da cultura, não só do quadrinho como literária. Hugo é considerado um pioneiro a arte de misturar quadrinhos com literatura. Ele mesmo a chamava de Literatura visual. Foi homenageado e entrou para o Hall da Fama do quadrinho em 2005, ao receber um prêmio Will Eisner póstumo.

No Brasil, com muita dificuldade, é possível encontrar publicadas estórias de Corto Maltese pelas editoras L&PM e Pixel Media. Ambas já saíram de circulação, mas lojas especializadas e sebos continuam a comercializar os produtos.

Fica aqui um agradecimento à Hugo Pratt pela criação de uma obra tão maravilhosa:

“Valeu Hugão, é nóis!”

 

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Bandas que você provavelmente ouviu falar mas deveria conhecer melhor #6 – Arcade Fire

O Arcade Fire é uma banda de indie rock que surgiu em Montréal, no Canadá.

O rótulo indie rock conseguia descrever facilmente a musicalidade do grupo no começo de sua carreira, mas ele ficou demasiado pequeno para todo o talento e criatividade do “Fogo Árcade”.

A banda é constituída ao redor do casal Win Butler e Régine Chassagne (o rapaz de chapéu e a moça no centro da foto).

O Arcade Fire é bem reconhecido pelo seu grande número de integrantes: sete, além do uso de vários instrumentos em suas performances, como piano, violino, viola, acordeón, harpa e violoncelo, além dos tradicionais guitarra, baixo e bateria. Também chama atenção na performance ao vivo da banda, que diga-se de passagem que é world class, a troca constante de instrumentos. Régine toca acordeón, violão, bateria e canta em algumas faixas. Assim como vários dos outros integrantes.Arcade Fire feat. R. Barrichello

O debut do Arcade Fire foi o genial “Funeral” de 2004. O álbum é, na minha humilde opinião, o álbum definitivo do indie rock. Ele é um perfeito álbum de rock alternativo que mistura uma simplicidade deliciosa como uma complexidade cativante. A mescla de vários instrumentos ao mesmo tempo, cria uma atmosfera tão simples e emocionante, que é difícil crer que músicos tão jovens conseguiram tamanha maturidade sentimental e musical. O álbum foi profundamente inspirado por mortes de pessoas próximas aos membros da banda em um curto espaço de tempo, Daí o nome do álbum. O interessante é ver a abordagem da melancolia da morte, com um olhar otimista ao invés de dark e soturno. O álbum chamou a atenção de músicos renomados como David Bowie e U2 e ambos convidaram o Arcade Fire para turnês. O U2, inclusive usou a faixa Wake Up como intro nos shows de sua última turnê. Faixa esta que é quase um hino. Indie rock at its finest.

Em 2007, o Arcade Fire partiu para sua segunda empreitada chamada Neon Bible. Um álbum mais denso e profundo que seu antecessor. Os membros da banda compraram uma igreja abandonada e gravaram o álbum nela, pela sua acústica. A sonoridade do álbum é condiz com sua criação. É um álbum mais denso e místico que seu antecessor. A sonoridade característica da banda continua, com Win e Régine nos vocais, muitos coros, muitos instrumentos, e muito sentimento. Mas o feeling, a vibe do álbum é totalmente diferente de Funeral. Embora não seja tão genial quanto o anterior, Neon Bible tem canções sensacionais como Black Mirror, Black Wave/Bad Vibrations, Antichrist Television Blues e No Cars Go. A banda passou no duro teste do segundo álbum e continuou a trilhar seu caminho para as estrelas, apresentando ao redor do mundo e angariando uma legião de fervorosos seguidores na internet. Fato este que gerou muita, mas muita expectativa para o seu próximo álbum: The Suburbs de 2010.

Este foi o ‘breakthru’ do Arcade Fire. Um álbum muito aguardado. Um lançamento explosivo. O primeiro show transmitido ao vivo pelo YouTube e dirigido pelo Monty Python Terry Gilliam, em um Madison Square Garden lotado. Simplesmente, mais alto do que qualquer banda de indie rock ousou imaginar chegar.

E o álbum? O que falar de The Suburbs? Pra mim, do fundo do meu coração: Um dos 3 melhores álbuns da década. Sim, não só o Arcade Fire conseguiu repetir a genialidade de seu primogênito, como conseguiu a proeza de fazer um álbum tão bom e indefectível que entra imediatamente para a lista de hors-concours da década. Pela internet, o frisson foi gigantesco. Ok Computer desta década, clamam muitos. Não sei quanto a esta comparação, mas definitivamente está entre os melhores álbuns que já ouvi. Um curta-metragem será lançado sobre o álbum, chamado Scenes From the Suburbs, dirigido por nada mais, nada menos que Spike Jonze. É muita moral e muita boa companhia para uma banda só!

Agora, para uma pequena cereja em cima da cereja normal em cima do sundae de awesomeness que é o Arcade Fire, alguns dias atrás, eles impressionaram o mundo e a todos ao vencer Lady Gaga e Eminem entre outros, e levar para o Canadá o Grammy de Melhor Álbum do Ano. Sim. Grammy. Uma banda indie levou o prêmio da indústria fonográfica.

O Arcade Fire é a prova viva e irrefutável de que música boa e sincera pode ser comercialmente bem sucedida. Uma banda genial, que merece estar onde está e merece a atenção de todos, pois, desde seu álbum de estreia vem fazendo história.

Como vocês, o concerto supracitado no Madison Square Garden, Enjoy.

 

 

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