O Arcade Fire é uma banda de indie rock que surgiu em Montréal, no Canadá.
O rótulo indie rock conseguia descrever facilmente a musicalidade do grupo no começo de sua carreira, mas ele ficou demasiado pequeno para todo o talento e criatividade do “Fogo Árcade”.
A banda é constituída ao redor do casal Win Butler e Régine Chassagne (o rapaz de chapéu e a moça no centro da foto).
O Arcade Fire é bem reconhecido pelo seu grande número de integrantes: sete, além do uso de vários instrumentos em suas performances, como piano, violino, viola, acordeón, harpa e violoncelo, além dos tradicionais guitarra, baixo e bateria. Também chama atenção na performance ao vivo da banda, que diga-se de passagem que é world class, a troca constante de instrumentos. Régine toca acordeón, violão, bateria e canta em algumas faixas. Assim como vários dos outros integrantes.
O debut do Arcade Fire foi o genial “Funeral” de 2004. O álbum é, na minha humilde opinião, o álbum definitivo do indie rock. Ele é um perfeito álbum de rock alternativo que mistura uma simplicidade deliciosa como uma complexidade cativante. A mescla de vários instrumentos ao mesmo tempo, cria uma atmosfera tão simples e emocionante, que é difícil crer que músicos tão jovens conseguiram tamanha maturidade sentimental e musical. O álbum foi profundamente inspirado por mortes de pessoas próximas aos membros da banda em um curto espaço de tempo, Daí o nome do álbum. O interessante é ver a abordagem da melancolia da morte, com um olhar otimista ao invés de dark e soturno. O álbum chamou a atenção de músicos renomados como David Bowie e U2 e ambos convidaram o Arcade Fire para turnês. O U2, inclusive usou a faixa Wake Up como intro nos shows de sua última turnê. Faixa esta que é quase um hino. Indie rock at its finest.
Em 2007, o Arcade Fire partiu para sua segunda empreitada chamada Neon Bible. Um álbum mais denso e profundo que seu antecessor. Os membros da banda compraram uma igreja abandonada e gravaram o álbum nela, pela sua acústica. A sonoridade do álbum é condiz com sua criação. É um álbum mais denso e místico que seu antecessor. A sonoridade característica da banda continua, com Win e Régine nos vocais, muitos coros, muitos instrumentos, e muito sentimento. Mas o feeling, a vibe do álbum é totalmente diferente de Funeral. Embora não seja tão genial quanto o anterior, Neon Bible tem canções sensacionais como Black Mirror, Black Wave/Bad Vibrations, Antichrist Television Blues e No Cars Go. A banda passou no duro teste do segundo álbum e continuou a trilhar seu caminho para as estrelas, apresentando ao redor do mundo e angariando uma legião de fervorosos seguidores na internet. Fato este que gerou muita, mas muita expectativa para o seu próximo álbum: The Suburbs de 2010.
Este foi o ‘breakthru’ do Arcade Fire. Um álbum muito aguardado. Um lançamento explosivo. O primeiro show transmitido ao vivo pelo YouTube e dirigido pelo Monty Python Terry Gilliam, em um Madison Square Garden lotado. Simplesmente, mais alto do que qualquer banda de indie rock ousou imaginar chegar.
E o álbum? O que falar de The Suburbs? Pra mim, do fundo do meu coração: Um dos 3 melhores álbuns da década. Sim, não só o Arcade Fire conseguiu repetir a genialidade de seu primogênito, como conseguiu a proeza de fazer um álbum tão bom e indefectível que entra imediatamente para a lista de hors-concours da década. Pela internet, o frisson foi gigantesco. Ok Computer desta década, clamam muitos. Não sei quanto a esta comparação, mas definitivamente está entre os melhores álbuns que já ouvi. Um curta-metragem será lançado sobre o álbum, chamado Scenes From the Suburbs, dirigido por nada mais, nada menos que Spike Jonze. É muita moral e muita boa companhia para uma banda só!
Agora, para uma pequena cereja em cima da cereja normal em cima do sundae de awesomeness que é o Arcade Fire, alguns dias atrás, eles impressionaram o mundo e a todos ao vencer Lady Gaga e Eminem entre outros, e levar para o Canadá o Grammy de Melhor Álbum do Ano. Sim. Grammy. Uma banda indie levou o prêmio da indústria fonográfica.
O Arcade Fire é a prova viva e irrefutável de que música boa e sincera pode ser comercialmente bem sucedida. Uma banda genial, que merece estar onde está e merece a atenção de todos, pois, desde seu álbum de estreia vem fazendo história.
Como vocês, o concerto supracitado no Madison Square Garden, Enjoy.