Porque adoro cinema e listas, e meus treze filmes favoritos

Sempre gostei de cinema. Alias, quem nunca gostou? Me recordo das saudosas visitas à Vídeo Locadora no final de semana, a indecisão extrema na hora de escolher o meu filme da semana e o medo de comprometer o entretenimento com uma escolha errada, ainda que nunca tenha me arrependido de nenhuma, pois criança gosta de qualquer coisa. Muitos filmes vistos na infância, tanto no VHS quanto nos saudosos Sessão da Tarde e Cinema Em Casa ficaram marcados na memória, mas eu me lembro mais especificamente de dois. O primeiro foi um filme chamado Cassiopéia. Exato. Cassiopéia foi o primeiro filme 100% feito em CGI, e pásmem, é brasileiro. Ele ficou marcado na minha memória não por seus gráficos horríveis e irritantemente redondos, muito menos seu plot que eu já nem sei do que se tratava, mas era algo sobre o espaço. O que ficou marcado na minha memória foi a sensação de descoberta. Encontrar aquela fita empoeirada apodrecendo no cantinho escuro da locadora e descobrir que era um filme interessante, que provavelmente ninguém havia visto. O que hoje é visto como ‘hipster’, era a primeira vez que eu experimentava a sensação de descoberta de uma obra de entretenimento não enfiada abaixo na minha garganta pela mídia.
Algum tempo depois, aluguei um filme com uma capa idiota. Tão idiota que mesmo com meus 8 ou 9 anos me recordo de ter achado que seria demasiadamente infantil (!). O filme se chamava Jack e tinha Robin Williams como protagonista. Era a estória de um garoto de 10 anos que envelhecia 4x mais rápido do que deveria, e então tinha aparência de 40 anos. Curiosamente o filme mais rejeitado da carreira de Francis Ford Coppola, me capturou desde a primeira, das muitas vezes que o vi. Eu sou uma pessoa altamente nostálgica. Tenho a tendência a sempre achar que tudo que já se foi era melhor do que é hoje. Pode ser que seja esta nostalgia falando, mas Jack é o filme mais inocentemente belo e sincero que já vi na vida. Foi o primeiro filme que me emocionou de verdade,  e até hoje o faz quando resolvo vê-lo novamente.

Então, por meados de 97 um presente de natal acabou com meu interesse por cinema. Um pequeno e maravilhoso produto da emergente tecnologia asiática chamado Super Nintendo e acabou com meu interesse por cinema, pelos vindouros anos. Até que, com meus 12 anos de idade, minha querida Mãe, desprovida de qualquer senso de falso moralismo e protecionismo idiota, me alugou dois filmes: Pulp Fiction de Quentin Tarantino e The Doors de Oliver Stone (valeu, Mãe). Nestes dois filmes, principalmente em Pulp Fiction, eu tive o primeiro contato com o Cinema propriamente dito. Meus primeiros ‘films’ e não ‘movies’. O filme de Tarantino me mostrou pela primeira vez que filmes vão além de uma estória sendo contada. O visual, o som e a violência exacerbada daquele filme me mostrou um lado do cinema que nunca havia percebido antes. Como se pela primeira vez tivesse visto o cinema como um objeto 3D ao invés de um simples quadrado.

Toda esta reminiscência pessoal cinematográfica surgiu da idéia insana que tive de listar meus filmes favoritos e resenhá-los. Idéia insana, porque fazer uma lista dos meus filmes favoritos tem todas as chances de dar errado. Deixarei filmes queridos e excelentes de fora e não me perdoarei. Incluirei filmes e depois pensarei: “What the hell was wrong with me?”. Mas essa é justamente a beleza das listas. Elas são a representação pontual de uma percepção que é fugaz, que permanece por um instante e depois se vai. Eu gosto de listas, sempre gostei. Desde criança fazia listas, de músicas favoritas, bandas favoritas, jogos favoritos, desenhos favoritos, times de futebol, comerciais, países, etc. Sempre fui um tanto peculiar enquanto criança, mas sempre me diverti sozinho, com meus interesses peculiares. Meu gosto por listas, por mais que eu quase sempre discorde elas nunca desapareceu. Até hoje sempre quando vejo alguma lista de qualquer coisa que seja em um destes portais de Internet, sempre involuntariamente clico nelas. Como eu dizia, acredito que as listas são a representação do gosto e percepção da pessoa naquele devido momento no tempo, e isto por si só vale a brincadeira por mais “inútil” que seja.

Após toda esta bobagem pessoal que ninguém está interessado em saber, farei a minha lista dos 13 filmes que eu mais gosto, em Outubro/Novembro de 2011. Vale ressaltar que não são necessariamente os melhores filmes que já vi. São os 13 filmes que mais me tocam como fã de cinema e como pessoa, independente das discrepâncias de qualidade técnica entre eles.  Porque 13 filmes? Porque eu quero. Sou hipster, 10 é overrated, 11 é impreciso, 12 é estranho. E treze é um número curioso. Jason, Zagall

Post Scriptum: “Porque”, “Por que”, “Porquê” e “Por quê”. Eu não me importo qual a forma certa. Uso apenas “Porque” para todas as ocasiões, porque acho que a língua portuguesa é redundante e nonsense o suficiente. E, como Adam Savage, eu rejeito a sua realidade a substituo com a minha.

GUILHERME’S EPIC ULTIMATE 13 BEST FUCKIN MOVIES FROM ALL THE TIME (RIGHT NOW)

NÚMERO 13: JCVD – Mabrouk el Mechri (2008)

É. Jean-Claude van Damme. Parece piada, mas não é. JCVD é um filme, que no mínimo, pegou minhas expectativas e as deu um Roundhouse Kick para o espaço. O improvável roteiro deste filme belga, conta com Jean-Claude interpretando ele mesmo: um ator de filmes de ação B, decadente com problemas judiciais e financeiros, lutando pela guarda de seus filhos. Sem nenhum dramalhão, o filme se passa quanto Jean Claude vai a uma agência bancária em Bruxelas, quando esta mesma está sendo assaltada. Van Damme fica preso como refém, é logo reconhecido, e de alguma forma a notícia espalha-se pela TV de que Jean-Claude estaria assaltando o banco. Grande parte do filme se passa nesta situação. Jean-Claude preso, lidando com o fato de ser um refém, com seus demônios interiores, além da irritante idolatria que o povo belga tem para com a sua figura. O ápice do filme fica em um monólogo introspectivo e tocante que Van Damme faz em direção a câmera. O diretor El Mechri afirma ter tirado todos da sala e deixado Jean-Claude sozinho, sem roteiro, sem script, expressar seus sentimentos quanto a sua vida, sua carreira, suas frustrações, seu problema com drogas e suas decepções com Hollywood. Tudo isto é deliciosamente adornado com uma fotografia genuinamente européia e uma montagem não-linear, que dão um toque de requinte que só os europeus sabem dar aos filmes. Resumindo, talvez ao lado de Heath Ledger, Van Damme teve a melhor atuação de 2008, além de conquistar meu respeito e admiração. Nice job, Jean-Claude!

E a lista continua em três, dois, um…

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