The Story of Anvil

Se há um documentário altamente recomendável para as pessoas que estão em uma banda atualmente (que fique bem claro: uma banda de rock), este documentário se chama The Story of Anvil.

A música do Anvil em si não chama tanta atenção no documentário. Apesar de terem influenciado diretamente no surgimento do Thrash Metal oitentista, percebemos que o foco não é a música que o Anvil faz, mas sim o que eles representaram um dia e como o tempo foi injusto com eles: logo no começo, vemos depoimentos de rockstars como Lemmy, Ulrich e Kerry King, comentando sobre como o Anvil já fazia Thrash Metal antes mesmo dele existir e o quão incríveis eles foram.

O fracasso de Lips e Reiner é evidente: eles estão envelhecendo e não ganham nada com a música que fazem. Lips entrega merendas escolares e Reiner faz pequenos consertos em casas. O dinheiro é curto, mas eles não desistem do Anvil por nada, e continuam amigos incondicionalmente, apesar da família e amigos dizerem que não há futuro algum com isso. Como tiveram seus 15 minutos de fama em um festival gigantesco no Japão junto com Scorpions e Whitesnake, eles continuam perseguindo o sonho de serem rockstars.

Quando uma turnê pela Europa é planejada, os integrantes da banda ficam animados, mas tudo não passa de uma grande frustração: a empresária, uma italiana loira, mal sabe falar o inglês e não faz reservas de trem ou ônibus. O resultado é: um monte de shows para platéias minguadas, com pouca publicidade, pouco ou nenhum cachê e esperas intermináveis em rodoviárias (os integrantes chegam a dormir na rua algumas vezes). Mas os shows continuam cheios de energia e os integrantes não se deixam abalar por tudo o que acontece. Não no palco.

Não só aconselhável para quem tem uma banda de Rock. O documentário também é aconselhável para quem quer ver o que está acontecendo atualmente com as bandas de Metal underground. O documentário é extremamente bem dirigido e todas as brigas e piores momentos da banda estão presentes. Durante a gravação do CD novo, Reiner se torna distante do processo de gravação e Lips fala que ele é ‘energia negativa’, se desculpando logo em seguida e dizendo, com o rosto cheio de lágrimas: “eu te amo, cara!”.

Os efeitos do documentário foram positivos, tanto para o diretor Sascha Gervasi quantopara a banda, que apesar de ainda não estar no mainstream, conseguiu o reconhecimento merecido e já fazem shows ao redor do mundo todo.

Esqueça as biografias dos grandes rockstars. Aqui temos uma história pura de perseverância, de como aceitar o fracasso, de amizade e de como fazer Heavy Metal.

 

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